O contato físico aprimora a capacidade de socialização das pessoas / Imagem: iStock

Saiba por que o abraço faz bem à saúde física e mental

O contato físico, entre casais, amigos ou familiares, pode aliviar estresse, melhorar a saúde cardíaca e impulsionar o sistema imunológico.

A maioria das pessoas já passou por momentos difíceis na vida nos quais o abraço de alguém querido — ou mesmo de alguém com quem não se tinha muita intimidade — ajudou a aliviar um pouco do stress, da tensão ou da tristeza. Segundo especialistas, o contato com outro ser humano pode ser muito benéfico para a saúde física e mental, além de aprimorar a capacidade de socialização das pessoas.

Diversos estudos realizados ao longo dos anos revelaram que, quando tocamos ou somos tocados, partes específicas do nosso cérebro são ativadas, o que pode influenciar processos de pensamentos, reações e respostas fisiológicas. No entanto, é sempre importante ressaltar que nem todos os indivíduos se sentem confortáveis diante de um gesto mais íntimo. Além disso, existem ocasiões em que um abraço, um toque no ombro ou no braço não é bem vindo, especialmente se você não é tão próximo da pessoa ou acabou de conhecê-la.

Uma pesquisa finlandesa publicada no ano passado na revista científica Scientific Reports mostrou que o toque pode produzir efeito positivo ou negativo dependendo do contexto em que ocorre. “O toque não leva universalmente a emoções positivas. As diferenças culturais podem fazer com que o toque seja interpretado como uma violação da distância interpessoal”, explicaram os autores no estudo.

Ainda assim, pesquisadores não param de encontrar benefícios no contato físico entre as pessoas. Outra pesquisa publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), em 2015, revelou que tocar ou ser tocado é importante para o ser humano quando existe a necessidade de comunicar emoções e manter relacionamentos — sejam eles românticos, fraternos ou de amizade.

Na infância

Um artigo publicado na revista americana The New Yorker mostrou que o toque é o primeiro dos sentidos a se desenvolver na criança, podendo se tornar os mais importante para alguns indivíduos. Estudos confirmaram essa crença, apontando que bebês e filhotes de primatas que crescem sem o contato afetivo dos pais e familiares próximos podem apresentar graves problemas de desenvolvimento, além de terem dificuldade ou incapacidade de se relacionar socialmente.

Uma pesquisa sueca divulgada no ano passado pelo Research on Language and Social Interaction indicou as crianças em estado de sofrimento ou medo podem ser acalmadas pelo abraço ou carinho de uma pessoa. A interação sinaliza que o adulto está disponível para oferecer proteção, segurança e tranquilidade.

O toque também influencia na tomada de decisões. Exames cerebrais mostraram que o contato afetivo ativa o córtex orbitofrontal, região do cérebro associada ao aprendizado e à tomada de decisões, além de integrar a formação de comportamentos emocionais e sociais.

Saúde física e emocional

A atuação do contato físico é tão importante para o cérebro da criança — e do adulto — que cientistas debatem se pode haver benefícios na introdução do toque às sessões de aconselhamento (já que ele tem alto potencial terapêutico) e se essas vantagens potenciais podem superar os perigos éticos oferecidos pelo gesto. Além disso, uma série de estudos realizados por pesquisadores holandeses mostrou que abraçar pode aliviar os sentimentos de medo existencial e remover a insegurança pessoais.

“Mesmo instâncias passageiras e aparentemente triviais do toque interpessoal podem ajudar as pessoas a lidarem de forma mais eficaz com a preocupação existencial. O toque interpessoal é um mecanismo tão poderoso que até objetos que simulam o toque de outra pessoa podem ajudar a incutir sensação de significado existencial”, explicou Sander Koole, principal autor da pesquisa, ao Medical News Today.

Quando o assunto é saúde física, o contato é recomendado. A solução para combater infecções respiratórias, por exemplo, é o abraço, indica pesquisa publicada na revista Psychological Science (2014). Segundo pesquisadores, indivíduos doentes apresentam sintomas menos graves quando recebem apoio emocional por toques afetivos.

No romance

Beijo

Experimentos realizados no Instituto Smithsonian, nos Estados Unidos, indicaram que os beijos românticos podem revelar muito sobre o parceiro. Os pesquisadores descobriram que o cérebro humano, especialmente o das mulheres, consegue detectar informações essenciais na saliva de um indivíduo para determinar a compatibilidade fisiológica.

Os beijos românticos ainda ajudam a impulsionar o sistema imunológico, segundo pesquisa de 2014. “Quando nos beijamos, transferimos 80 milhões de bactérias a cada beijo de 10 segundos”, os cientistas disseram em relatório. Não há dúvidas de que isso soa extremamente nojento, mas essas bactérias trazem inúmeros benefícios para a saúde em geral, pois fortalecem nossa imunidade contra diversos germes que podem causar doenças.

Quando o stress for uma problema para o casal, por exemplo, os dois podem se beneficiar do beijo e do abraço uma vez que são gestos capazes de diminuir a tensão, acelerando a melhora do humor.

Toques

O toque pode ser uma demonstração de companheirismo e amizade dentro do relacionamento. Uma equipe de pesquisa apontou que o parceiro que recebe conforto físico da mulher apresenta maior atividade em uma região cerebral (corpo estriado ventral) envolvida no sistema de recompensa, que é responsável pelo incentivo, aprendizado associativo e emoções positivas, particularmente aquelas que envolvem o prazer como um componente central.

O coração também pode se beneficiar do toque. Estudos mostra que em casais que se abraçam com frequência, as mulheres tendem a ter menor pressão arterial e frequência cardíaca, devido a liberação de oxitocina, substância conhecida como hormônio do amor ou da felicidade.

Já casais que andam de mãos dadas podem sentir menos dores. “Segurar a mão do parceiro durante períodos de dor aumenta a conexão neural que envolve uma rede de regiões centrais responsáveis pelas dores”, escreveram pesquisadores de dois estudos sobre os benefícios de andar de mãos dadas.

De Veja

Compartilhar

Artigo publicado em 25 de setembro de 2018 por Jorge

Comentários