A ANSIEDADE SE MANIFESTA EM DUAS ÁREAS IMPORTANTES DO CÉREBRO (FOTO: PIXABAY)

Estudo analisa como a ansiedade se manifesta no cérebro humano

Cientistas estudaram a comunicação dos sinais elétricos cerebrais para entender de maneira mais aprofundada como a ansiedade e a depressão influenciam o organismo.

Sinais elétricos dentro do cérebro são essenciais para a comunicação entre diferentes regiões, mas também podem desencadear efeitos graves quando se comportam mal. Neurocientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco, descobriram que duas áreas importantes do cérebro enviam um tipo específico de sinal entre elas quando as pessoas estão a caminho de ficar deprimidas ou ansiosas.

Os pesquisadores usaram máquinas de eletroencefalografia intracraniana (iEEG) para estudar as atividades cerebrais de 21 pacientes com epilepsia que se preparam para uma cirurgia no cérebro. Os pacientes também tiveram que descrever seu humor durante o período de tempo em que as medidas foram tomadas.

Os 13 participantes que sofreram ataques de depressão ou ansiedade tiveram sinais passando entre a amígdala cerebelosa (grupo de neurônios pertencentes ao sistema límbico, que controla as emoções) e o hipocampo (estutura localizada nos lóbulos temporais do cérebro e responsável pelo armazenamento da memória) em frequências entre 13 e 30 Hertz. Tais resultados não foram vistos nos outros participantes. Essas ondas cerebrais, chamadas β-AH ICNs, coincidiam com períodos em que a ansiedade aumentava.

Ambas as regiões são conhecidas por terem papéis importantes, mas mal compreendidos, no processamento da emoção e do humor. Os autores também procuraram sinais entre a amígdala e várias outras regiões do cérebro, mas não encontraram nada que correspondesse às manifestações do humor.

Encontrar uma maneira confiável de diagnosticar depressão e ansiedade seria um grande passo à frente no tratamento dessas condições. Diversos biomarcadores estão sob investigação para esse fim, mas a descoberta de que as ondas cerebrais β-AH ICNs estão associadas a uma mudança de humor são uma informação valiosa aos pesquisadores.

"Ficamos surpresos ao encontrar um sinal tão claro e consistente", disse, em nota, o doutor Vikaas Sohal, autor sênior de um artigo na Cell.

A equipe acredita que essa descoberta poderia ajudar a reduzir o medo e o estigma dos transtornos do humor. "É realmente poderoso dizer às pessoas que quando você está se sentindo para baixo é devido à comunicação entre essas duas estruturas cerebrais em uma frequência específica", diz Sohal. "Isso ajuda todo mundo a pensar sobre essas coisas de uma forma que é desestigmatizadora e fortalecedora."

De Galileu

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Artigo publicado em 14 de novembro de 2018 por Jorge

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